O cineasta Marcos Prado, para escrever o roteiro do primeiro longa-metragem de ficção, Paraísos artificiais, contou com a ajuda de Pablo Padilla e Cristiano Gualda.
Erika (Nathalia Dill) é uma DJ de relativo sucesso e muito amiga de Lara (Lívia de Bueno). Juntas, durante um festival onde Erika trabalhava, elas conheceram Nando (Luca Bianchi) e, juntos, vivem um momento intenso. Entretanto, logo em seguida o trio se separa. Anos depois Erika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. pouco após se conhecerem, anos antes.Entretanto, o real objetivo da viagem de Nando é trazer drogas em sua volta para o Brasil.
Descartes com seu ceticismo radical postulado em sua primeira meditação em sua obra Meditações Metafísicas, servirá de ponte para mostrar o efeito das droga.
Com o argumento do sonho, Descartes postula de que o ato de sonhar providencia evidência preliminar de que os sentidos através dos quais confiamos para distinguir realidade de ilusão não devem ser plenamente confiáveis. Já no com gênio maligno, metáfora usada pelo filósofo francês René Descartes para evidenciar que nenhum pensamento por si mesmo traz garantias de corresponder a algo do mundo. Anuncia o gênio maligno como um ente que coloca na cabeça dele, Descartes, pensamentos bastante evidentes, contudo, falsos. O gênio maligno estaria continuamente trabalhando para criar ilusões.
Descartes ao construir sua metafísica mostra que nem o pensamento ou os sentidos poderiam plenamente ser confiáveis. As drogas tornam ambos exatamente isso, a pessoa é jogada em um estado de alienação do mundo real, aonde nem seus pensamentos ou seus sentidos seriam plenamente confiáveis. A pessoa estaria totalmente afastada do mundo real.
O filme deseja mostrar o clima das raves,do sexo e drogas, mas n]ao mostra bem a alienação pela qual a pessoa é jogada do mundo real pelas drogas.
Diz Platão em seu diálogo Górgas:
"— Sócrates — Assim sendo, vou propor-te outra imagem da mesma procedência que a anterior. Vê se te é possível comparar essas duas modalidades de existência — isto é, a temperante e a incontinente — ao caso de dois homens que particularmente possuíssem muitas barricas. Um as tinha em bom estado e cheias de vinho, ou de mel, ou de leite, afora muitas mais, também cheias de líquidos diferentes, colhidos em fontes escassas e de difícil acesso, e adquiridos com trabalho e dificuldade. Porém uma vez cheio o vasilhame, não se preocuparia o nosso amigo com renovar-lhes o conteúdo,deixando-se ficar tranqüilo a esse respeito. O outro indivíduo disporia das mesmas fontes que o primeiro, nas quais poderia abastecer-se, embora com dificuldade; mas todos os seus tonéis eram quebradiços e apresentavam rachas, o que o obrigava a enchê-los dia e noite sem interrupção, para não vir a sofrer o pior. Ora bem, se me aceitas a comparação entre o procedimento desses dois indivíduos e aquelas duas maneiras de viver, dirás que a vida do intemperante é mais feliz do que a do moderado?"
A fábula nos mostra que a alma do hedonista é cheio de furos, pois nada consegue reter, visto carecer de fé e memória, diferente do temperante que possui a alma bem ordenada e que se satisfaz com o que o dia presente lhe oferece. A pessoa nunca está satisfeita e sempre é escrava dos desejos e estes o dominam.
Além das drogas que alienam, o filme mostra pessoas hedonistas em climas quentes, sem revelar que antes de mais nada são escravas do desejo.
Sem maiores explicações, que a felicidade consiste no prazer, seja de que natureza for, sem distinguir entre os prazeres bons e os maus. Demonstrando que mesma coisa o bom e o agradável, não mostrando que possa haver coisas agradáveis que não sejam boas.
Um filme profundamente negativo.











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