quinta-feira, 9 de maio de 2013

Os sofismas do cinema novo


Glauber Rocha escreveu um manifesto, Uma Estética da Fome, em 1965, no qual analisava uma forma de expor a miséria. Os filmes tinham de agredir a percepção para refletir a violência social. Só um cinema brutal, gritado, desesperado, feio e triste poderia impor o dissabor do miserabilismo sobre o sabor das obras digestivas, tão ao gosto da fome dos estrangeiros por exotismos. O pobre era visto como agente de uma revolução. Oprimido, reagia. Se não com a tal consciência política, por meio de um instinto de sobrevivência. Era combustível de mobilização, não alvo de compaixão ou curiosidade. Estava inserido no processo político, apesar de excluído de sua cidadania.

Vejamos um trecho do Manifesto:

“Dispensando a introdução informativa que se transformou na característica geral das discussões sobre América Latina, prefiro situar as reações entre nossa cultura e a cultura civilizada em termos menos reduzidos do que aqueles que, também, caracterizam a análise do observador europeu. Assim, enquanto a América Latina lamenta suas misérias gerais, o interlocutor estrangeiro cultiva o sabor dessa miséria,não como sintoma trágico, mas apenas como dado formal em seu campo desinteresse  Nem o latino comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado compreende verdadeiramente a miséria do latino.”


Cinema é a ate de se dirigir a alma do público por meio de imagens, palavras e sons. uns produzem filmes como mero entretenimento e outros não. 

O cinema novo, pelo qual Glauber fez parte pretendia refletir de maneira nua e crua a realidade brasileira, sobre sua pobreza e miserabilidade. Pelo menos é o que disseram fazer. Para isso seria necessário que o cineasta fosse um bom conhecedor e bem informado sobre  que iria tratar. Ao querer abordar de maneira mesmo que indireta em seus filmes o que seria a justiça, eles não tratavam dela como ela é, mas sim de como os marxistas a consideram. Um cineasta querendo realizar filmes sérios, ao tratar sobre o bem e  mal, justiça e injustiça, encontrando pessoas na mesma ignorância, ele acaba mentindo para o público e o enganando. 

O cineastas do cinema novo desconheciam com exatidão e detalhamento a semelhança e desamelhança dos objetos do tem de seus filmes. O homem que não conhece as verdadeiras qualidades de cada coisa não será capaz de perceber a maior ou menor de  algo que desconhece e o que lhe é familiar. Torna-se evidente que aquele cuja opinião não corresponde a realidade e têm dela conceitos errôneos, caem no erro porque foram iludidos por certas semelhanças. E se o cineasta ignorar as verdadeiras qualidades das coisas não poderá passar pouco a pouco da realidade ao contrário, utilizando suas obras por meio da semelhança.
Aquele que não conhece a verdade, só alimentará o senso comum.

O cinema novo tendia a falar da indiferença das classes mais altas com a classes mais pobres, as acusando de vedarem o acesso a terra a todos e concentrarem a renda, afirmando serem eles os responsáveis pelas desigualdades sociais do Brasil. A criminalidade seria fruto da pobreza a qual etá submetida a população.


 A culpa da miserabilidade não seria culpa da burguesia, mas fruto da escolha individual. Para o homem, o meio básico de sobrevivência é a razão. Tudo que ele deseja e precisa tem que ser aprendido, descoberto e produzido por ele, através de sua escolha própria, esforço e consciência. Para caçar, desenvolveu armas. Para se aquecer, descobriu o fogo e depois a eletricidade. A agricultura veio para alimentá-lo. O avião foi criado para o transporte. São todos exemplos práticos que nos distinguem de outros animais, que sobrevivem através de um processo mais automático, sem consciência ou razão.

O homem é livre para fazer sua própria escolha, e esta pode ser a errada, mas ele não está livre de suas conseqüências. Ele pode se esquivar da realidade, pode seguir cegamente um curso ou a estrada que quiser, mas não tem como evitar o precipício a frente que ele se recusa a enxergar. Em resumo, ele é livre para escolher não ser consciente, mas não consegue escapar das penalidades de sua inconsciência: sua própria destruição.

Existe sim pobreza no Brasil e havia naquela´poca, mas era fruto das más escolhas do individuo  não algo provocado pela burguesia. Para um espectador incauto, ele observa a pobreza no Brasil, sabe que ela existe, mas ele não sabe sua causa, ele acaba culpando a burguesia e os agricultores. 

Vejo o cinema novo e o cinema brasileiro atual pós-retomada que deseja tratar o Brasil de maneira séria, como perpetradores de sofismas e mentiras sobre a sociedade, não devendo sua obra ser levada a sério.

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